A HISTÓRIA COMPLETA — para quem quer aprofundar
ATO 1 — A SEMENTE
Eduardo significa Guardião do Tesouro. Desde criança, carrego uma sensação nítida e silenciosa de fazer parte da evolução da humanidade. Durante muito tempo, achei que todo mundo sentia isso. Quando descobri que não, entendi: o tesouro que guardo é essa semente. A Semente da Evolução.
Desde criança, o Brasil habita meu coração com uma força profunda e inexplicável. As alegrias dos jogos da seleção, os encantos do Carnaval, a riqueza das maravilhas naturais — tudo me cativou. Mas, ao mesmo tempo, a pobreza nas ruas, a violência que testemunhei e a corrupção que permeava a vida pública me deixavam profundamente inquieto. Essa dualidade — beleza e dor lado a lado — moldou em mim uma paixão intensa e uma preocupação pelo futuro do nosso país.
Aos 12 anos, participei das manifestações dos cara-pintadas, que levaram ao impeachment de um presidente corrupto. Ao pararmos no vão do MASP, juntei as hastes de várias bandeiras até tocar o teto do museu. Registrei aquela memória como símbolo de uma vontade pulsante em mim de contribuir para levantar meu país.
Aos 18 anos, entrei na faculdade de Relações Internacionais e iniciei um movimento de resgatar a prática dos saraus — oferecer à juventude um reencontro com as riquezas da nossa cultura. A ideia se expandiu das periferias de São Paulo à floresta amazônica, de asilos a casas de reabilitação de jovens infratores. Nos saraus, as pessoas tinham um espaço aberto para expressar um poema, um verso de canção, uma história de infância. Eu ficava maravilhado ao observar como as pessoas se revelavam pela primeira vez como artistas, não só para os outros, mas muitas vezes para si mesmas.
Aos 22 anos, escrevi o primeiro manual de facilitação de grupos do Brasil. O Caderno de Propostas tornou-se uma das referências mais importantes no país para a gestão participativa e o diálogo democrático.
ATO 2 — A BUSCA
Durante quase duas décadas, atuei como consultor de alto nível para as Nações Unidas, liderei movimentos culturais e políticos, e conduzi processos de transformação em empresas e comunidades.
Mas algo faltava. Aos 28 anos, no auge da minha carreira, ouvi de um mentor — Allan Kaplan — a frase que redirecionou tudo:
"O que vocês fazem não é participação, da maneira como entendo o que seja participação."
Na conversa que se seguiu, ele me levou a compreender algo mais duro: ao invés de transformar a cultura das organizações, meu trabalho reforçava uma engrenagem que já não estava comprometida com a escuta das pessoas. No final das contas, eu havia me tornado uma peça no tabuleiro de um jogo que eu sequer queria jogar.
Foi o que me fez mergulhar fundo. Durante oito anos, estudei com Kaplan a Ciência de Goethe — a imaginação sensorial exata — em imersões na África do Sul, Nova Zelândia, Inglaterra e Brasil. Foi ali que aprendi a ver o invisível.
Logo percebi que sem mudar os indivíduos, as organizações não mudam. Voltei meu foco para o ser humano.
Escrevi O Vazio no Poder — a reinvenção do ser político.
E aí, minha vida colapsou.
ATO 3 — A TRAVESSIA
Aos 38 anos me recolhi do mundo para me tornar pai. E aos 42 anos, enfrentei um colapso total. Perdi finanças e estrutura familiar.
Ninguém conseguia explicar o que eu tinha. Procurei três psiquiatras. Três diagnósticos completamente distintos. Não era caso perdido: com remédios, eu conseguia me manter equilibrado no presente. Mas nada tocava a raiz.
Eu já não conseguia mais estar no mundo — apenas com minha família, minhas filhas pequenas, enquanto mergulhava na minha cura interna. Para me manter, precisei vender tudo o que tinha.
O fundo do poço teve um endereço. Foi depois que, pela primeira vez na vida, agredi uma mulher. Eu revidei tapas que havia recebido — mas isso não justifica nada. Eu me senti um lixo. Liguei para o Lou. Ele estava nos últimos dias de vida, no Havaí, com 86 anos. Mesmo estando numa maca com um cateter, me atendeu com alegria.
Quando eu disse que estava no buraco, ele gargalhou. Gargalhou! E disse: "Agradeça por estar aí."
Na hora, não achei absurdo. Quando me reergui, comecei a sentir uma dor na testa — uma dor que não era física, mas também era. Nos 40 dias seguintes, fiz um processo de cura profunda comigo mesmo. Dia após dia, sentindo cada bloqueio, até que o lóbulo frontal se liberou. Foi como se eu tivesse vivido em preto e branco e descoberto as cores.
Ancorado no amor pelas minhas filhas, encontrei um lugar de autoamor que se tornou o princípio da minha reconstrução. Apliquei tudo o que havia estudado e, com o apoio do xamanismo universal e de tradições ancestrais, atravessei um processo de recuperação neurológica e mental que me devolveu o acesso pleno aos meus dons.
Escrevi Meu Amado Lado Mau no processo de saída do poço — o livro me ajudou a significar e registrar essa experiência. É o diálogo entre o meu Lado Bom e o meu Lado Mau. A integração entre luz e sombra. A descoberta de que o vilão da minha história era, na verdade, meu guardião disfarçado.
Anos depois, uma segunda travessia me levou ao silêncio e à perda de quase tudo. Mas isso já é outra história, que conto no livro.
ATO 4 — O QUE NASCEU
Dessa travessia nasceu a Ciência da Alma — um meta-método que integra a precisão fenomenológica de Goethe, a profundidade da cura espiritual e a prática viva da Medicina da Vida.
Escrevi também Ama, Brasil! — a redescoberta de quem somos neste barco à deriva. O complexo de vira-latas. As virtudes da Alma Brasileira. O Amor por Princípio.
Atendi mais de 500 pessoas ao longo dos anos. Hoje me dedico a formar Cientistas da Alma: pessoas capazes de ler a vida interior com o mesmo rigor com que ensinei o Brasil e organizações internacionais a ler seus próprios processos.
Para levar a Ciência da Alma a mais pessoas, criei O Espelho — a porta de entrada para quem quiser me conhecer e conhecer este trabalho.
